Aos 8 anos, o piloto mineiro Enzo Bortoletto, de Uberlândia (MG), começa a construir sua trajetória no automobilismo brasileiro. Em 2026, ele disputa a categoria Mirim do Circuito Paulista de Kart, no Speed Park, em Birigui (SP), e ocupa a quarta colocação na classificação geral, segundo reportagens publicadas em outubro.

A paixão pela velocidade surgiu no ambiente familiar, influenciada pelo pai, Ricardo, entusiasta do automobilismo. A temporada de 2026 marca seu primeiro ano em competições profissionais, com participação também no Troféu Ayrton Senna, no qual terminou em sétimo lugar entre 29 pilotos.

Enzo integra a equipe Spirit Sports, conta com orientação técnica e telemetria de Glauco Alex Vinokurovas e tem como referências os pilotos Kimi Antonelli, Gabriel Bortoleto e Charles Leclerc. Seu grande sonho é se tornar piloto profissional e, quem sabe, chegar à Fórmula 1.

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MA - Enzo, você tem apenas 8 anos e já está competindo no kart. Como nasceu sua paixão pelas corridas? Você se lembra da primeira vez em que andou de kart e do que sentiu naquele momento?

EB - Minha paixão pelo automobilismo veio pelo meu pai, que já andava de kart e eu ia assistir, e às vezes ele me colocava no colo e eu andava com ele. Um dia meu pai perguntou se eu queria andar e eu disse que sim, e quando eu andei foi uma sensação muito boa, uma adrenalina, foi bom demais.

 

MA - Seu pai, Ricardo, também gosta de automobilismo e teve participação importante no seu contato com as pistas. Como sua família apoia esse sonho? O que seus pais fazem para ajudar você a continuar correndo e estudando?

EB - Eles me apoiam, me dão incentivos, dicas, e quando não estou muito bem eles me motivam. É muito bom ter com quem contar.

Pra continuar correndo eles me dão muito incentivos, uns empurrõezinhos daqui e dali, várias coisas boas.

 

MA - Em 2025, você começou a treinar kart em Uberlândia e decidiu continuar mesmo quando outros alunos deixaram as aulas. O que fez você querer seguir em frente? Quando percebeu que queria levar o automobilismo mais a sério?

EB - Eu percebi que queria continuar andando de kart, ano passado, quando eu fui competir em Goiânia, aí eu vi que dava pra ir além.

 

MA - Como é sua rotina de preparação para as corridas? O que você precisa aprender nos treinos, como funciona o trabalho com sua equipe e como consegue conciliar as competições com a escola, os amigos e as brincadeiras?

EB - A minha rotina de piloto é, eu treino, em Uberlândia 2 vezes por semana, e quando tem competição eu passo metade da semana no Kartodromo, que geralmente é fora de Uberlândia. Com a equipe tenho muito treino, aprendo a me concentrar, pra não ficar tenso e nervoso nas corridas. Tento levar tudo o que treinei para as corridas. Minha equipe é muito boa! Eles mexem no kart e eu vou pra pista, quando volto eles me perguntam como está, eu explico, eles me ensinam alguma coisa, e volto treinar mais.

Conciliar o kart, a escola, os amigos, não é fácil, já perdi aniversário de amigo, prova, mas dá tudo certo! Quando eu fico fora, quando eu volto os amigos sentem saudade, da oi, pergunta como foi, é muito bom, da certo de juntar e fazer tudo.

Na escola, minha mãe conversou com a professora e com a escola, eu tenho que faltar por conta dos treinos e competições fora de Uberlândia, então a gente leva uma declaração de participação e a escola, a professora já sabem. Quando estou em Uberlândia eu presto muita atenção na aula e estudo direitinho para as provas pra continuar o kart e escola.

E também no kart eu fiz amigos, quando acabam os treinos e as corridas, nos pilotos vamos jogar bola, andar de patinete, é bem legal.

 

MA - Disputar corridas exige concentração, coragem e controle emocional. Qual foi o maior desafio que você enfrentou até agora no kart? Já passou por alguma corrida difícil que ensinou algo importante para você?

EB - Meu maior desafio no kart até agora foi a terceira etapa do circuito paulista de kart, que no dia da corrida começou chover e eu nunca tinha andado na chuva, aí o tio Lelis que é outro piloto da equipe andou comigo de patinete na pista e me ensinou como fazer na chuva. Eu larguei de terceiro, fui pra segundo, caí pra quinto, voltei pra terceiro, rodei na pista molhada, fui pra quinto denovo e fui buscando e cheguei em terceiro. Esse foi meu maior desafio no kart.

E na quarta etapa, na largada eu não vi o menino do meu lado, freei forte e rotei, aí bateram em mim, foi um incidente grande e acabou a minha corrida. Foi difícil, fiquei assustado porque um menino capotou, é muito difícil, e quando acontece isso a gente fica triste. Mas não machucou ninguém e ficou tudo bem.

 

MA – Em sua primeira temporada de competições profissionais, você está entre os destaques da categoria Mirim do Circuito Paulista de Kart e conquistou o sétimo lugar no Troféu Ayrton Senna. Qual resultado deixou você mais feliz até agora? O que aprendeu com as corridas em que não conseguiu chegar à posição que desejava?

EB - A terceira etapa foi a que eu fiquei em terceiro, foi muito bom e eu fiquei muito feliz, aprendi andar na chuva, recuperar posições. Também gostei muito do Troféu Ayrton Senna, que foi a primeira vez que competi em um grid cheio, tinham 29 pilotos e a nossa ideia era ficar entre os 10 primeiros e eu cheguei em sétimo, passando na linha de chegada junto com o sexto, foi muita adrenalina! Cada corrida a gente sempre aprende alguma coisa, a se dedicar mais, ficar mais tranquilo.

 

MA - Você compete pela Spirit Sports e conta com orientação técnica e telemetria. Como é trabalhar com sua equipe? Você já consegue entender os dados dos treinos, identificar onde pode melhorar e conversar com os profissionais sobre o desempenho do kart?

EB - Minha equipe é muito boa, todos são amigos, eu confio neles e isso é muito legal. E conversar com eles é muito bom, me ajuda identificar onde errei e onde posso melhorar.

 

MA - Você já contou que admira Kimi Antonelli, Gabriel Bortoleto e Charles Leclerc. O que mais chama sua atenção nesses pilotos? Se pudesse conversar com um deles hoje, quem escolheria e qual pergunta gostaria de fazer?

EB - Eu queria conversar com o Kimi, que é o mais novo e que entrou muito rápido na fórmula 1, a pergunta seria como é ser o piloto mais jovem do grid.

E para o Gabriel Bortoleto eu perguntaria como é representar o país na fórmula 1.

E o que mais me chama atenção nesses pilotos é o talento deles, eles acertam bem mais do que erram, e mesmo quando erram conseguem manter a concentração e continuar. Isso é o que eu mais admiro neles.

 

MA - O Campeonato Brasileiro de Kart é um dos grandes objetivos da temporada de 2026. Como está sua preparação para essa competição? O que você espera conquistar e o que considera mais importante aprender ao enfrentar pilotos de todo o Brasil?

EB - Por mim está boa, já acertamos bem o kart, agora depende mais de mim na pista. Espero conquistar uma boa posição, chegar entre os top 10 do brasileiro seria ótimo para um primeiro ano.

Vamos com tudo, vai dar certo!!

 

MA - Uberlândia já foi bem atuante no kart. Como você vê o momento atual do esporte na cidade?

EB - Em Uberlândia tem poucos campeonatos e não são grandes, só participam pilotos de lá, não vão pilotos de fora. Então eu acho que o kartismo em Uberlândia precisa melhorar e ser mais divulgado, temos 2 Kartódromos, daria pra fazer muita coisa legal lá.

 

MA - Você sonha em ser piloto profissional e chegar à Fórmula 1. Como imagina sua vida daqui a dez anos? Quais categorias gostaria de disputar e que mensagem deixaria para outras crianças que também sonham em ser pilotos, mas ainda não tiveram a oportunidade de começar?

EB- Daqui há 10 anos, se tudo certo, espero estar correndo de fórmula 3 ou 4 ou até de fórmula 1, quem sabe, se Deus quiser! Ou, andando no WEC, de hipercarro ou GT3, seria legal!

 

MA - Para finalizar, complete a frase: para chegar à Fórmula 1, eu preciso de: Para chegar a fórmula 1, eu preciso de… foco, empenho, concentração e muita dedicação!

FONTE/CRÉDITOS: Redação Motor